
O futuro do subjuntivo em português: manual de instruções
Quando me deparei com « quando eu for » e « se eles fizerem », percebi que o português tinha um subjuntivo… no futuro. Aqui está como formá-lo, utilizá-lo e evitar armadilhas.
« Quando eu for », « se eles fizerem »… Estas formas intrigam no início. O português tem um subjuntivo no futuro para falar de um evento ainda hipotético ou condicional no futuro. Boa notícia: a formação é regular na imensa maioria dos casos.
A regra em claro
O futuro do subjuntivo (conjuntivo futuro) utiliza-se após conjunções voltadas para o futuro incerto: se, quando, enquanto, assim que, logo que, depois que, onde, quem, etc. Exemplo: « Quando eu chegar, ligo. » (= Quand j’arriverai, j’appelle.) Numa condição real a vir: « Se eles vierem, a reunião começa. » A gramática de referência descreve precisamente este uso após « se » e « quando » para o valor de eventualidade futura segundo Ciberdúvidas.
Para formar o tempo, parte da 3.ª pessoa do plural do pretérito perfeito (passado simples/“passé composé” português), retira a terminação -am, e depois adiciona as desinências seguintes, idênticas para todos os verbos: nada / -es / nada / -mos / -des / -em. Em outras palavras: eu radical], tu radical]es, ele/ela/você radical], nós radical]mos, vós radical]des, eles/elas/vocês radical]em. Os verbos irregulares seguem a mesma lógica a partir da sua 3.ª pessoa do plural: « fizeram » → « fizer- »; « estiveram » → « estiver- ». Podes verificar as tabelas num bom dicionário de conjugação como Priberam.
Dica de memorização
Mnemónica simples: pensa « -, es, -, mos, des, em ». Aprende primeiro um verbo modelo (vir → vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem), depois adapta os outros a este.
Os armadilhas e nuances
- Infinitivo pessoal vs futuro do subjuntivo.As formas muitas vezes se assemelham (« cantar », « cantarmos », « cantarem »). Regra de ouro: após uma preposição (para, sem, antes de, depois de, por, ao…), utiliza-se o infinitivo pessoal. Exemplo: « Depois de chegarmos, jantamos. » Mas com conjunção, usamos o futuro do subjuntivo: « Depois que eu chegar, a gente janta.
- Condições futuras. Com « se » para uma condição real futura, utiliza o futuro do subjuntivo na protase e o futuro simples (ou o imperativo) na apódose: « Se você vier, eu aviso. » / « Se vierem, entrem. » Evita o condicional na apódose para uma condição real futura.
- Brasil vs Portugal. No Brasil, « você » usa a 3.ª pessoa: « Se você fizer… ». Em Portugal, o tratamento por « tu » continua a ser comum, portanto « Se tu fizeres… ». Na língua oral informal, ouvem-se por vezes outras soluções, mas a norma cuidada recomenda ainda assim o futuro do subjuntivo após « se »/« quando » para um futuro incerto segundo Ciberdúvidas.
- Verbos muito irregulares. Lembra-te dos radicais provenientes do pretérito perfeito plural: « for- » (ir/ser), « vier- » (vir: « vierem »), « trouxer- » (trazer: « trouxerem »), « puser- » (pôr: « puserem »), « disser- » (dizer: « disserem »). Um olhar a uma tabela fiável como Priberam ajuda a ancorar estas famílias.
A minha experiência
No início, confundia o infinitivo pessoal e o futuro do subjuntivo: « depois de chegarmos » vs « depois que eu chegar ». O clique veio ao imaginar uma linha do tempo. Se eu vejo uma preposição antes do verbo, eu mudo para o infinitivo pessoal. Se ouvir uma conjunção que desencadeia um cenário futuro (se/quando/enquanto/assim que…), vou para o futuro do subjuntivo. Desde então, as minhas frases do tipo « Quando eu for a Lisboa, vou visitar… » saem mais naturalmente.
Como te treinar
Cria modelos: « Se eu [verbo], eu vou… », « Quando eles [verbo], a gente… », e completa com 3-4 verbos irregulares (ir, vir, pôr, fazer). Podes trabalhar as desinências no módulo Conjugação do Discus — prático para focar nos tempos — e alternar pessoas ao acaso: tenta « se eu for », « se nós formos », « se eles forem ».
Para saber mais sobre a língua em si, dá também uma olhada na página de português do Discus: /fr/langues/portuguese.
Treinar com o Discus
No Discus, a parte de conjugação permite-te escolher os tempos a rever; a seleção é aleatória. Ideal para alternar « quando eu for », « quando fizermos », etc. /fr/fonctionnalites/conjugation
Para ir mais longe
Do ponto de vista sintático, o futuro do subjuntivo aparece na protase das condicionais potenciais (« Se vieres… ») e nas subordinadas temporais/concessivas referindo-se a um momento futuro não realizado (« Enquanto estivermos… », « Assim que fizerem… »). Morfologicamente, o seu paradigma é isomorfo ao doinfinitivo pessoal (zero, -es, zero, -mos, -des, -em), daí as homofonias frequentes; é a regência (preposição vs conjunção) que separa os dois sistemas em uso. Na variação diatópica, a preferência por « tu » (PT) ou « você » (BR) não afeta o modo, mas apenas a pessoa flexionada: « tu fizeres » ~ « você fizer ». Os verbos com tema radical alongado no pretérito perfeito (p. ex. « fizeram », « trouxeram », « puseram ») projetam esse radical no futuro do subjuntivo (« fizer- », « trouxer- », « puser- »), o que explica a irregularidade aparente sem criar exceções de formação. Para a nomenclatura e paradigmas completos, vê os quadros de conjugação dePriberam e as notas explicativas deCiberdúvidas.

Amaury Lavoine
Artigo redigido por Amaury Lavoine, fundador da Discus. Ele aprende swahili diariamente com uma professora queniana — é esta prática que orienta cada decisão de produto.
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